sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Fire of my loins

   Meu primeiro beijo foi no fim de um corredor. Aconteceu no dia 17 de dezembro de 2011, o dia do meu aniversário de 14 anos. Eu estava na festa da minha melhor amiga, que completaria 14 três dias depois. Quando cheguei lá, o Luís estava indo embora. Ele me viu e disse que precisava conversar comigo a sós. Ao lado da churrasqueira do prédio, havia o parquinho, além do parquinho, uma porta de metal dava num corredor um pouco mal iluminado pelo sol cansado das quatro horas da tarde, as paredes eram rosa bebê. Ele me olhou inexpressivo, eu conhecia o olhar dele. Falou umas meias frases sobre eu ser a melhor amiga dele e sobre a Thaís - sua outra melhor amiga - também gostar dele, que foram interrompidas com um "eu não estou aqui pra ouvir isso". Um segundo foi pouco tempo para perceber que já não era aquilo que eu queria. Ele me beijou como quem beija uma boneca de plástico e eu não senti nada. É a partir daí que, como se fosse uma boneca, tomei a iniciativa de escrever At the end of the corridor , sempre assumindo o papel de um objeto utilizável, como em "Till you love me once again / I'll be waiting / For you at the end of the corridor / Cuz I want you to make me / Your sweet little doll", em "I'm on a toy store's shelf, / I'm a doll on a box, / You get me losing myself / At this sad happyland, / I'm feeling unused. / Why don't you toy me? / Come pet me, / Please wet me / One more time", em "'Cause my plastic legs will run / Till I find you at the end" e, também, na imagem que postei com o poema - uma boneca usando uma coroa de flores.
   Depois disso ele foi embora. No dia 18 ele já estava esperando uma vida nova acontecer na puta que pariu da qual eu não gosto de falar porque tudo o que começa na minha vida, de alguma forma termina lá. Me deu feliz aniversário pelo twitter, respondi que o meu aniversário foi no dia 17. Achei que a dor nunca fosse passar, que nunca mais iria me interessar por ninguém. Percebi muito tarde que ele não se importava com a minha amizade ou com a minha paixão platônica e apenas se aproveitava da situação para que eu fizesse os trabalhos de escola dele e das amigas dele e passasse cola pro resto da turma. Vi ele apenas uma vez depois do meu aniversário. Foi no churrasco de reencontro da minha turma da oitava série, em maio do ano passado. Mas, felizmente, eu estava bêbada o suficiente pra mandar tomar no cu e não chegar perto de mim. Passam-se os anos e, em todos os meus aniversários, eu me lembro daquele que foi o pior deles. Quando escrevi "But darling, hey, / It's my birthday, / I wanna be your little girl", ao mesmo tempo que sei que foi um dia ruim, admito que nunca superei - como nunca supero nada. E sei que seria inútil forçar o inexistente - nem naquela hora, nem anos depois - em "But darling, hey, / It's my birthday, / As every year it has been. / How can I be your little girl / If now I'm eighteen?"
   Em 2012, eu conheci o primeiro amor da minha vida. E também, o segundo corredor. Nick era inteligente, romântico, bonito e gostava das mesmas coisas que eu. Era três anos mais velho e gostava de um livro - a partir do qual transformávamos nosso envolvimento em piada - chamado Lolita. Mas, ao contrário de Dolores, eu sempre quis estar onde estive. Por isso, apesar de o poema estar infestado de referências a Lolita - desde a sugestão de elementos fofos e infantis, como o perolado em "Gotta tell a secret to your eyes of shining pearl" e a cor rosa em "Come to the pinky table,"; o clichê infantil do chazinho com os bichos de pelúcia "We'll be drinking tea / With Mr. Fluffy"; as referências à doçura como em "Cherry flavoured candy cotton" e em "I would give you sugar, I'd get us some glitter"; até as referências mais claras, como o cabelo trançado ("How coud you just lay there / Without touching / My braided hair?") e um dos trechos mais famosos do livro - "Light of my life", que, no texto ao qual me refiro, tem a sequência:

"Light of my life,
Fire of my loins.
My sin, my soul,
Lo-lee-ta".

   Nick correspondia meus sentimentos, mas não por muito tempo. Assim como todas as minhas grandes paixões, duramos meses. Duramos até o dia em que ele se trancou no banheiro - que também ficava no final de um corredor - e se arranjou uma overdose. Falo da dor de perder a pessoa que eu mais amei em muitos dos meus poemas, mas pela conveniência de mostrar aqui apenas o que cabe a este poema, retomo toda a segunda estrofe:

"Your words and letters

Survived the years,
Why don't I
Survive my tears
Now that you're gone?
Remember the last time I've
       [seen you
At the corridor:
Almost mad,
Halfway dead.
How could you just lay there
Without touching
My braided hair?"


E, também, retomo "Just open your eyes once more", e "Won't you dare breathing / Under our cloud dossel", "But now's the third winter / Scent you cannot smell. / How could you warm me in your arms / When your body's colder than weather? / Now you're beyond the corridor / And we can't be together".
   O fim do corredor - dos corredores - se tornou, para mim, símbolo de fim da vida. O esperar por alguém ao final de um corredor é a metáfora do meu morbus amoris, todas as minhas paixões dão vontade de morrer. E eu tentei, algumas vezes - e agora, não mais (graças aos deuses fui atingida por um pouco, ou talvez um muito de narcisismo). I was trying, with the fire of my loins, my plastic legs were trying to reach the end of my corridor.
   Demorei para fazer essa postagem. Eu sabia que o próximo poema do qual deveria falar era este, mas há muitas outras paixões disfarçadas em alguns versos ambíguos e antríguos que não soube sobre o que exatamente deveria escrever. E precisei deixar passar a melancolia de estar esperando o aniversário de 18 anos para continuar essa análise.


sábado, 19 de setembro de 2015

A casquinha derretida

   Conheci a Bruna - minha ex namorada - no começo de 2014. Estudávamos no Curso Positivo - Batel, onde predominava uma elite à qual nós duas não estávamos (nem nunca estivemos) acostumadas. Sempre fui antissocial por medo de sentimentos, ela por rebeldia, e enquanto estávamos escondidas das pessoas no confortável fundo da sala de aula e isoladas do contato humano pela medíocre ferramenta para estudos que é uma carteira em um anfiteatro de cursinho, a ponte que abriu conexão entre nós duas foi um lápis 9B deixado de propósito - porque gosto de pessoas que reparam nos detalhes escondidos em paisagens normais e porque qualquer pessoa que gostasse de desenhar tanto quanto ou mais do que eu não ignoraria o lápis - sobre o meu caderno em cima da mesa durante o recreio.
   Se não for a melhor, a Bruna é uma das melhores desenhistas que eu conheço. Gabaritou a prova de desenho no vestibular para arquitetura. Coincidiu de que quando aquela pessoa nova veio puxar assunto comigo perguntando "Você desenha?", eu estava desenhando uma personagem de Elfen Lied, minha série de animação japonesa preferida, e a Bruna, apesar das minhas péssimas habilidades, a reconheceu. Ela me ensinou mais da metade do pouco que sei sobre desenho, e sempre que desenhávamos juntas, me apontava os meus erros. Lembro carinhosamente desses episódios nos versos "A te ouvir reclamar de cada traço torto que traço | Na vida", na quarta estrofe do poema "Joga a casquinha mista no lixo".
   Demorou pouco (tenho vênus em aquário) para que eu me apaixonasse pela minha melhor amiga e demorou muito (ela tem vênus em capricórnio) para que eu fosse correspondida. E quando eu percebi que era correspondida, foi porque ela teve ciúme de um garoto novo que tinha entrado na turma de quem eu também estava gostando (e que também gostava de mim).
   Sou uma pessoa magoada e inconstante. A maior fraqueza que me deixaram no coração o abandono e uma overdose é o medo de perder aquilo que amo. Eu nunca conseguiria, nem nunca consegui, deixar de amar alguém, e tudo o que eu não queria ter que fazer era escolher um dos dois. O início da minha inconstância em meu relacionamento - e da inconstância de que tanto falo no poema - foi aí, e o fim - que não por acaso coincide com o fim dele - foi quando a universidade abriu um leque de possibilidades que eu jamais poderia provar.
   Nas duas vezes em que terminamos, a Bruna conversou pacientemente comigo e citou a frase que digo toda vez que vou comprar uma casquinha italiana: "Gosto de casquinha mista porque eu não tenho que escolher entre baunilha e chocolate". "Você é indecisa, Lúcia. Precisa saber o que quer", ela diz até hoje. Quando escrevo sobre gostar de casquinha mista, reifro-me a duas situações: por ser bissexual, não tenho um gênero de preferência; e por amar duas ou mais pessoas, nunca conseguiria escolher apenas uma.
   E por este motivo, assumo o poema referido como uma espécie de utopia, pois me liberto desse símbolo da minha indecisão na terceira estrofe em "Jogo fora a casquinha mista" e no título "Joga a casquinha mista no lixo", coisa que nunca seria capaz de fazer na vida real. Prestando atenção ao título, que por meio do imperativo "Joga" sugere um pedido - não uma ordem, nem uma recomendação, pois nunca em um momento de sensibilidade, decisão e saudade alguém daria alguma ordem nem seria frio para aceitar uma sugestão. Não poderia ser nada menos desesperado que um pedido -, expectando uma aceitação se o destinatário do poema concordasse em jogar a casquinha fora. Já o citado anteriormente verso da terceira estrofe em sua estrutura representa a tomada de uma decisão quanto ao problema anterior a ela. "Jogo fora a casquinha mista" representa a desistência do posicionamento anterior.
   Eu e a Bruna gostamos de BDSM. Quando crio, na terceira estrofe, uma casquinha mista e peço sem baunilha, não me refiro ao sabor, e sim ao sexo sem graça. E quando digo que é a sina do sorvete derreter, refiro-me a Boku no Pico, um dos mangás preferidos dela, que é frequentemente lembrado pela cena em que os personagens principais estavam tomando sorvete quando um é seduzido pelo outro, e enquanto os dois se amam, o sorvete derrete.
   Na primeira estrofe, quando escrevo "Mas a minha mão é seca | E a tua chega a borrar o desenho", tento estabelecer oposição entre as minhas mãos e as dela, que sempre estavam suadas e acabavam molhando o papel em que ela desenhava; tento dar continuidade a essa oposição harmônica do conforto com que ela cura minha euforia na terceira estrofe em "E vejo que sua mão quente | Se deitaria confortável sobre a minha fria" - aliás, a frieza só poderia estar na minha mão, uma vez que mãos quentes representam afeto e eu segurava uma casquinha - e na quarta estrofe reforço a paz trazida comparando-a a coisas doces e nostálgicas como "leite morno", "bolo no forno" e begônia.
   A música da qual coloquei o link após o poema nos foi apresentada pelo professor de Língua Portuguesa, e naquela aula ele explicou que somando o título à letra da música, apesar de todos os verbos indicarem uma história de amor que acabou, o tempo presente no título "Eu te amo" indica que a saudade e o amor ainda existem.
   A música, como disse na minha nota no rodapé do poema, fala de como as duas pessoas deixaram a vida de lado para viver uma paixão e no fim estavam tão acostumadas uma à outra, física e emocionalmente que não romperam quando era o tempo e agora não querem aceitar que a relação acabou. Eu e a Bruna sentimos isso uma pela outra. Ainda somos melhores amigas. Não consigo imaginar uma vida totalmente independente dela. Tento dar continuidade a essa ideia na quarta estrofe, comparando nós com algo tão familiar quanto um lar e citando o costume do encaixe de uma mão à outra.
   Mais do que uma utopia, esse poema representa um agradecimento. Voltando ao meu medo de perder o que amo, acabo o poema com uma estrofe que retoma tudo o que acabou e perdi, e eu sei que tudo o que amei, deixei ir ou foi embora. Menos Ela.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Capitão ou demônio ou pássaro azul

   Como escritora, eu amo a teoria da literatura. Foi com muita frequência que produzi e repensei textos durante as aulas de teoria (sou aluna de letras na UFPR), e "O capitão e o corvo" é um exemplo disso.
   O segundo semestre havia começado, a primeira matéria de segunda-feira era teoria da literatura 2, que consistia na análise do texto poético, seus elementos constituintes, linguagem e estrutura. Eu havia fumado haxixe com a Lua, minha melhor amiga, com quem eu tinha combinado de fumar hash nas férias, mas nossos horários não batiam, obrigando-nos a deixar para fumar antes das aulas durante toda a primeira semana do semestre.
   Fazia coisa de um mês que um grande amor tinha ido embora da cidade, a mesma pessoa para quem escrevi os poemas I, II, III e IV, e depois outros poemas que decidi não enumerar porque cinco é o meu número favorito e até agora, ainda não me senti disposta a escrever um poema entitulado V por três motivos: a nenhum dos poemas posteriores ao IV faltou título, a pessoa a quem dediquei os poemas posteriores aprendeu a reconhecer-se nos demais poemas e não quero aceitar que acabou (porque às vezes tenho a sensação de que me reconheço nos textos poéticos e não poéticos dele), e o que não acabou não merece a chave de ouro que seria um cinco.
   O "capitão", no caso, é advindo do poema I, que surgiu em uma crise de preguiça de viver e de sair de casa da parte dele enquanto eu ficava sentada com amigos no pátio da reitoria da UFPR, com os olhos fixos na rua que ele tomava para vir para a universidade, na esperança de que ele fosse aparecer. Quando escrevi o poema I, preocupei-me em estabelecer comunicação com o poema "O captain! My captain!", de Walt Whitman, poema preferido do universitário preguiçoso em questão (vamos chamá-lo, por convenção, de capitão).
   De volta à primeira aula de teoria da literatura do semestre, o professor explicava sobre o gênero poético, lembro de prestar muita atenção à justificativa da escolha da frase "a literatura é uma grande muralha de silêncio neste mundo cheio de ruídos", de Roland Barthes. A literatura tem a capacidade de ocultar, e é isso o que faço com ela desde que me tenho por escritora, aquilo que cotidianamente seria compreendido (berrado) com facilidade. O professor caracterizou a poesia como o miolo subjetivo, que nunca diz uma coisa extrema nem outra e sim sugere uma conciliação entre ambas, explicando o fato de que cada vez a poesia tem menos espaço no mundo porque ela incomoda. Em um lugar onde tudo é dividido entre certo e errado, bem e mal, direita e esquerda, a poesia, que não é nem um nem outro, acaba extrapolando o socialmente ou moralmente aceitável.
   Na hora, me subiu à cabeça a música The Fence, de Tim Minchin, à qual fui apresentada pelo capitão algum tempo depois de voltar à sua cidade. Ele me mostrou a música porque, entre as anormalidades inerentes a mim, a descrença nas dicotomias sempre foi notável e chegamos a conversar sobre o assunto algumas vezes. A referência clara à música está em "Entre o revolucionário e o homofóbico / A poesia incomoda os dogmas".
   O momento em que decidi que iria escrever um poema foi quando o professor apresentou Vladimir Maiakovski e Walt Whitman como dois poetas da revolução: este da revolução americana e aquele da russa. Achei que seria engraçado tomá-los como uma dicotomia, um americano e um russo pareciam inconciliáveis, e, como concluí anteriormente, a poesia é o recheio dos extremos.
   Não bastasse Walt Whitman, poeta idolatrado pelo capitão aparecer como um extremo, lembrei-me do meu poema "IV". No verso "E também, não coloca mais aquela música", refiro-me à musica Animate, do Rush, primeira faixa do álbum Counterparts. Sempre tomei os opostos de tudo como contrapartes, complementos, talvez como é dito pelas pessoas que "os opostos se atraem". Na primeira vez que ouvi essa música, eu estava com ele na casa de um amigo de amigos. Ele colocou o vinil do Counterparts e me chamou pra dançar. Perguntei o nome da música bem depois e acabei me identificando com partes da letra. Há também a contraparte do cinco de ouros, minha carta da sorte no baralho, e o cinco de paus, carta oposta. Acabei relacionando o cinco de paus à presença dele. A última contraparte no poema IV é a entre o elemento fogo e o elemento ar, opostos complementares de acordo com o ocultismo e a astrologia. Escrevi sobre os elementos porque sou de sagitário, signo de fogo, e ele de aquário, signo de ar.
   Se eu resolvesse gostar de Maiakovski tanto quanto o capitão gosta de Walt Whitman, teríamos uma nova oposição para tornar piada. Outro elemento presente tanto em "IV" quanto em "O capitão e o corvo" é a sugestão da cor azul. Em "IV", está nas referências musicais: na comunicação com a música Innocent Blue, abertura da série de animação japonesa School Days, e na capa do Counterparts que postei para ilustrar o poema. Em "O capitão e o corvo", está em "já não indago essa dor índigo" e em "Seria melhor apagar o anil" (que tornam o azul sinônimo de dor, sutilmente assemelhando-se ao "Essa é a dor de um azul inocente que se acumula como a neve" da letra de Innocent Blue), e nas evocações a Bluebird (que foi escrito pelo capitão): uma no verso que também conversa com "O Corvo", de Edgar Allan Poe "Capitão ou demônio ou pássaro azul", e a outra na imagem da guitarra azul (eu queria uma imagem de guitarra azul com pequenas manchas de sangue, mas não encontrei) que postei com o poema. O pássaro azul também pode referir-se ao simpático Larry do twitter, rede social onde muitos dos nossos gritos se escondem em silêncios subjetivos.
   Gosto muito de Bluebird. Deixando de lado meu envolvimento com o capitão, Bluebird me traz a tona o sentimento que tenho pelo meu primeiro caderno de poemas (antes de criar o blog, eu escrevia meus poemas em cadernos, tenho cinco cadernos no total). Azul é a minha cor favorita, então, quando comprei o meu primeiro caderno, comprei um caderno simples de capa dura azul. Esse caderno sobreviveu à morte não de um filho, mas de um melhor amigo (e de uma paixão), e foi na penúltima página (nunca escrevi nada na última página porque gosto da sensação de que sempre caberá mais um poema) dele que escrevi a sangue o meu primeiro bilhete de suicídio.
   Quanto à comunicação com "O Corvo", de Edgar Allan Poe, a primeira referência tem o objetivo de deixar ao destino ou ao acaso ("E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.", como citei Tabacaria, de Fernando Pessoa, anteriormente em "Meia carteira de Lucky Strike") uma possibilidade remota de reencontro, e também se refere a um diálogo real nosso, em que expliquei a ele uma teoria de abstração de tempo e espaço.
   Tentei também dar certa continuidade à simbologia que têm os umbrais no poema de Poe: sempre há a sugestão de incerteza entre uma coisa e outra que, segundo Poe em "A filosofia da composição", traz a aura do fantástico ao poema. Minha intenção foi de sugerir a dúvida e aliá-la ao conceito anterior de que a poesia seja um miolo subjetivo entre os extremos. Também tento sugerir uma incerteza minha quanto ao capitão ainda gostar ou não de mim ou sentir ou não a minha falta, e isso está tão subjetivo no discurso dele quanto no meu poema.
   Quando, há algum tempo, surgiu a indecisão dele quanto a ir embora ou continuar na cidade, lembro-me de ter dito a ele que fosse embora. Não por não o querer por perto, e sim porque ele não parecia feliz aqui. E ele ainda parece. Capitão ou demônio ou pássaro azul, se precisar de alguma coisa, de uma conversa, de uma palavra amiga, saiba que estarei aqui e farei o que puder para que tudo a ti seja pleno.